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Negros são mais encarcerados pelas drogas



Guerra às drogas encarcera mais negros do que apartheid - Maria Lucia Karam



A juíza aposentada do Rio de Janeiro, Maria Lucia Karam, afirma que a criminalização do usuário que ainda persiste no Brasil viola declarações internacionais e e a própria Constituição brasileira. Karam faz parte da Apilcação da Lei contra a Proibição (Leap, na sigla em inglês). Segundo a juíza, a guerra às drogas nos EUA - que serve de referência para outros países - já propicia um quadro de encarceramento da população negra que ultrapassa os indíces do regime do apartheid na África do Sul.
Judicialmente, o usuário de drogas ainda é tratado como criminoso? Na sua opinião, quais mudanças na legislação poderiam tornar o relacionamento do judiciário com o usuário mais humano?
Maria Lucia Karam: Sim, o usuário de drogas ilícitas ainda é tratado como criminoso no Brasil. A Lei 11.343/2006 – a vigente lei brasileira em matéria de drogas – ilegitimamente criminaliza a posse para uso pessoal das drogas tornadas ilícitas em seu artigo 28, ali prevendo penas de advertência, prestação de serviços à comunidade, comparecimento a programa ou curso educativo e, em caso de descumprimento, admoestação e multa. A Lei 11.343/2006 apenas afastou a previsão de pena privativa de liberdade.
Não se trata de tornar o relacionamento do Poder Judiciário com o usuário mais humano. Na realidade, o mero fato de usar drogas ilícitas não deveria levar ninguém a se relacionar com o Poder Judiciário. A criminalização da posse para uso pessoal das drogas tornadas ilícitas viola princípios garantidores de direitos fundamentais inscritos nas declarações internacionais de direitos e nas constituições democráticas, aí naturalmente incluída a Constituição Federal brasileira. A simples posse para uso pessoal das drogas tornadas ilícitas, ou seu consumo em circunstâncias que não envolvam um perigo concreto, direto e imediato para terceiros são condutas que dizem respeito unicamente ao indivíduo que as realiza, à sua liberdade, às suas opções pessoais. Condutas dessa natureza não podem sofrer nenhuma intervenção do Estado, não podem sofrer nenhuma sanção. Em uma democracia, a liberdade do indivíduo só pode sofrer restrições quando sua conduta atinja direta e concretamente direitos de terceiros.
A guerra às drogas tem um cunho social? Isto é, ela atinge majoritariamente os mais pobres? Se sim, a sra. considera que essa é uma estratégia pensada propositadamente para atingir os mais pobres?
A “guerra às drogas” não se dirige propriamente contra as drogas. Como qualquer outra guerra, dirige-se sim contra pessoas – nesse caso, os produtores, comerciantes e consumidores das drogas tornadas ilícitas. Como acontece com qualquer intervenção do sistema penal, os mais atingidos pela repressão são – e sempre serão – os mais vulneráveis econômica e socialmente, os desprovidos de riquezas, os desprovidos de poder.
No Brasil, os mais atingidos são os muitos meninos, que, sem oportunidades e sem perspectivas de uma vida melhor, são identificados como “traficantes”, morrendo e matando, envolvidos pela violência causada pela ilegalidade imposta ao mercado onde trabalham. Enfrentam a polícia nos confrontos regulares ou irregulares; enfrentam os delatores; enfrentam os concorrentes de seu negócio. Devem se mostrar corajosos; precisam assegurar seus lucros efêmeros, seus pequenos poderes, suas vidas. Não vivem muito e, logo, são substituídos por outros meninos igualmente sem esperanças. Os que sobrevivem, superlotam as prisões brasileiras.
Nos EUA, pesquisas apontam que, embora somente 13,5% de todos os usuários e “traficantes” de drogas naquele país sejam negros, 37% dos capturados por violação a leis de drogas são negros; 60% em prisões estaduais por crimes relacionados a drogas são negros; 81% dos acusados por violações a leis federais relativas a drogas são negros. Os EUA encarceram 1.009 pessoas por cem mil habitantes adultos. Se considerados os homens brancos, são 948 por cem mil habitantes adultos. Se considerados os homens negros, são 6.667 por cem mil habitantes. Sob o regime mais racista da história moderna, em 1993 – sob o apartheid na África do Sul – a proporção era de 851 negros encarcerados por cem mil habitantes. Como ressalta Jack A. Cole, diretor da Law Enforcement Against Prohibition-LEAP – organização internacional que reúne policiais, juízes, promotores, agentes penitenciários e da qual orgulhosamente faço parte – é o racismo que conduz a “guerra às drogas” nos EUA.
Na Europa, a mesma desproporção se manifesta em relação aos imigrantes vindos de países pobres.
A função da “guerra às drogas” – ou do sistema penal em geral – de criminalização dos mais vulneráveis e de conseqüente conservação e reprodução de estruturas de dominação não é exatamente uma estratégia pensada propositadamente pelo político A ou B; é sim algo inerente ao exercício do sempre violento, danoso e doloroso poder punitivo.
As experiências de legalização/descriminalização das drogas têm ajudado a diminuir a violência em função do tráfico?
As experiências menos repressivas na atualidade limitam-se à descriminalização da posse para uso pessoal das drogas tornadas ilícitas. A descriminalização da posse para uso pessoal das drogas ilícitas é um imperativo derivado da necessária observância dos princípios garantidores dos direitos fundamentais inscritos nas declarações internacionais de direitos e nas constituições democráticas. A posse de drogas para uso pessoal, como antes mencionado, é uma conduta que não atinge concretamente nenhum direito de terceiros e, portanto, não pode ser objeto de qualquer intervenção do Estado.
Mas essa imperativa descriminalização não é suficiente. Não haverá nenhuma mudança significativa, especialmente no que concerne à violência, a não ser que a produção, o comércio e o consumo de todas as drogas possam se desenvolver em um ambiente de legalidade. Para afastar os riscos e os danos da proibição, para pôr fim à violência resultante da ilegalidade, é preciso legalizar a produção, o comércio e o consumo de todas as drogas.
A legalização da produção e do comércio de todas as drogas afastará a violência que hoje acompanha tais atividades, pois essa violência só se faz presente porque o mercado é ilegal. ão são as drogas que causam violência. A produção e o comércio de drogas não são atividades violentas em si mesmas. É a ilegalidade que cria a violência. A produção e o comércio de drogas só se fazem acompanhar de armas e de violência quando se desenvolvem em um mercado ilegal. A violência não provem apenas dos enfrentamentos com as forças policiais, da impossibilidade de resolução legal dos conflitos, ou do estímulo à circulação de armas. Além disso, há a diferenciação, o estigma, a demonização, a hostilidade, a exclusão, derivados da própria ideia de crime, a sempre gerar violência, seja da parte de agentes policiais, seja da parte daqueles a quem é atribuído o papel do “criminoso” – ou pior, do “inimigo”.
A produção e o comércio de álcool ou de tabaco se desenvolvem sem violência – disputas de mercado, cobranças de dívidas, tudo se faz sem violência. Por que é diferente na produção e no comércio de maconha ou cocaína? A óbvia diferença está na proibição, na irracional política antidrogas, na insana e sanguinária “guerra às drogas”.
Aliás, o exemplo de legalização que podemos invocar é o que ocorreu nos EUA na década de 1930, com o fim da proibição do álcool. O proibicionismo produziu e inseriu no mercado produtor e distribuidor do álcool empresas criminalizadas; fortaleceu a máfia de Al Capone e seus companheiros; provocou a violência que caracterizou especialmente a cidade de Chicago daquele tempo. Com o fim da chamada Lei Seca (o Volstead Act), o mercado do álcool se normalizou e aquela violência que o cercava simplesmente desapareceu.

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Descriminalização das drogas

OEA sugere descriminalização das drogas



A descriminalização do uso das drogas e a regulamentação do consumo da maconha são as principais recomendações do relatório “O problema das drogas nas Américas”, apresentado pelo Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, como alternativa para a guerra às drogas. O documento resulta do pedido feito a OEA por 34 chefes de Estado e de Governo, incluindo os Estados Unidos, para que diferentes alternativas para a políticas de drogas fossem discutidas.
Lisa Sanchez, coordenadora do programa México Unido Contra o Crime (MUCD) e da fundação Transforme as Políticas de Drogas, e um grupo de especialistas encarregados da redação do relatório afirmou que a carta representa uma ruptura com o paradigma atual sobre drogas. “A reforma da política de drogas tem sido um tabu por muito tempo e, pela primeira vez em décadas, representantes de 34 países das Américas tiveram a coragem de vislumbrar alternativas reais para acabar com a guerra às drogas”, disse.
O relatório, além de apresentar uma análise das atuais políticas de drogas, incluindo a mostra de alternativas ao atual regime, na forma de quatro cenários que contam como as políticas sobre drogas poderiam ser desenvolvidas até 2025. Entre esses cenários está a regulamentação legal da maconha e outras drogas assim como a evolução gradual do quadro jurídico internacional.
Sanchez afirma que este é um claro reconhecimento do fracasso do atual sistema internacional de controle de substâncias e mostra a necessidade de explorar alternativas para a sua reforma. O conselheiro da MUCD, Armando Santacruz, acrescenta que este cenário de reforma já está acontecendo em Washington e Colorado. “Eles estão se movendo para a regulação e taxação da maconha para uso não medicinal e Uruguai provavelmente vai fazer o mesmo nos próximos meses”.
Para Santacruz, este documento criou condições para sustentar um debate vigoroso sobre abordagens alternativas, enquanto o mundo se prepara para a realização da Sessão Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre a questão das drogas em 2016. “Esperamos que este tipo de relatório sirva para alimentar o debate global sobre a reforma da política de drogas” disse.
Os resultados do relatório estão disponíveis em Inglês e em Espanhol

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Combate às drogas

OEA tenta redefinir combate às drogas apesar da resistência dos EUA




G1
Vinte e seis chanceleres e delegados participam de debate na Guatemala.
Ao menos 14 países querem implementar nova política contra as drogas.

Os chanceleres da OEA analisam nesta quarta-feira (5) na Guatemala novas estratégias para enfrentar o narcotráfico, embora os Estados Unidos insistam em sua política antidrogas e rejeitem alternativas como a descriminalização.

Vinte e seis chanceleres e delegados de 34 países-membros ativos da Organização dos Estados Americanos (OEA), reunidos na colonial Antigua Guatemala, a 45 km da capital, debatem mecanismos que vão do fortalecimento da cooperação em segurança até a polêmica descriminalização e legalização das drogas.

Uma discussão que ocorre pela primeira vez desde que, há quatro décadas, o governo dos Estados Unidos lançou a chamada guerra contra as drogas, baseada na repressão e na perseguição policial e militar.

"Acabou o tabu de muitas décadas", disse o secretário-geral da OEA, Miguel Insulza, ao inaugurar o 43º período de sessões da Assembleia Geral, que conta com a participação do secretário americano de Estado, John Kerry.

À frente de uma delegação composta pelos funcionários que executam a política antidrogas dos Estados Unidos, Kerry se reunirá nesta quarta-feira com os chanceleres de Colômbia e Peru, países que são os maiores produtores de cocaína do mundo, e com o da Venezuela, o principal crítico de Washington na América Latina.

A reunião "permitirá a transmissão direta para o governo do presidente (Barack) Obama da visão que o governo da Venezuela tem do que devem ser as relações entre nossos dois governos", afirmou em Caracas o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Os chanceleres também têm sobre a mesa o longamente discutido processo de reformas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), acusada pela Venezuela e por seus aliados, como Bolívia, Equador e Nicarágua, de se curvar aos interesses dos Estados Unidos.

Um difícil consenso
As discussões dos chanceleres não se anunciam nada fáceis. Pela primeira vez desde que Richard Nixon lançou, no início da década de 1970, a chamada "guerra contra as drogas", suas estratégias são questionadas na América Latina, diante da violência provocada pelo tráfico e pelo consumo de cocaína.

Ao menos 14 países querem implementar uma nova política contra as drogas, incluindo os de América Central, Uruguai, Colômbia e México, indica o governo da Guatemala. Mas uma mudança de enfoque ainda precisa acontecer. O problema afeta os países envolvidos em todas as etapas - produção, consumo, tráfico -, embora com consequências diferentes e com respostas dos Estados igualmente diversas.

"O desafio que temos pela frente é grande", disse na noite de terça-feira na abertura da Assembleia o presidente guatemalteco, Otto Pérez, que no início de 2012 propôs abordar a descriminalização de drogas, quando o tema era discutido apenas entre ex-presidentes e acadêmicos.
A Guatemala, que forma com Honduras e El Salvador o Triângulo Norte, a zona mais violenta do mundo, deseja que esta Assembleia mantenha os debates sobre novas estratégias em alto nível, inclusive de presidentes.

Segundo fontes ligadas à reunião, essa proposta enfrenta resistências dos Estados Unidos. Kerry reafirmará aos chanceleres a estratégia antidrogas de Washington, segundo sua subsecretária adjunta para a região, Roberta Jacobson, que o acompanha, junto com o subsecretário encarregado do combate às drogas, William Brownfield, e o czar antidrogas Gil Kerlikowske.

"Sabemos que o consenso é construído passo a passo e, sob esta perspectiva, entendemos que em seu devido tempo conseguiremos estabelecer uma política regional feita na medida de nossas necessidades que nos permita enfrentar da melhor maneira os grandes desafios que temos pela frente", disse Pérez.

Para começar a discutir, os chanceleres têm um relatório elaborado pela OEA com base nas discussões realizadas na Cúpula das Américas de 2012, em Cartagena (Colômbia), que acolheu a ideia de Pérez de buscar alternativas. Também foram discutidas as experiências de países como o Uruguai, que quer legalizar a produção e a distribuição de maconha.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

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Maconha vicia

Maconha: a cada dez que experimentam, um vicia   







Agência Estado
06:03 27/06
Por Daniela Tófoli 

Os pais cresceram nos anos do paz-e-amor, vivendo a era hippie e acreditando que a maconha não era aquele veneno que diziam. Corações e mentes mais abertos começam a descobrir que a droga "light" não é tão inofensiva assim. Que seus filhos podem se tornar viciados e que, despreparados, eles não sabem nem por onde começar a ajudá-los. Para a maioria, é exagero procurar orientação especializada ao descobrir que um filho fuma maconha. Mas não deveria ser. 

Um em cada dez jovens que experimentam a droga vai se tornar dependente e não conseguirá deixar o vício sozinho. Precisará de ajuda médica, de apoio familiar e de muita força de vontade, porque largar a maconha pode ser muito mais complicado do que deixar a cocaína ou o crack. As crises de abstinência são reais, fortes e não há remédio capaz de controlá-las.

É o que o ex-goleiro Edson Cholby do Nascimento, o Edinho, filho do Rei Pelé, preso pela acusação de associação com o tráfico de drogas, diz ter acontecido com ele. E, verdade ou desculpa para escapar de uma pena mais severa, o fato é que essa droga "light" é mais poderosa do que se costuma acreditar.

Famílias de usuários de cocaína ou crack não hesitam em buscar ajuda assim que descobrem que o filho consome a droga. Pais de jovens que fumam maconha costumam ser bem mais tolerantes. Acreditam que o vício passará com o tempo. Em parte, é verdade. Mas há um bom número de usuários que nunca conseguirá deixar de acender um baseado. E com anos e anos de uso começará a sentir os efeitos da maconha: a falta de memória, de concentração, a dificuldade em se fixar em um emprego e em construir relacionamentos.

Acostumada a ouvir histórias de todos os tipos, a chefe do Ambulatório da Maconha da Unifesp, Neide Zanelatto, sabe que pais e filhos demoram a perceber os males da maconha. "Um pai consciente se desespera ao saber que o filho usa a droga. Mas, por achar que ela é leve, não procura ajuda especializada em um primeiro momento." Os pais, diz, se sentem culpados, acham que falharam e relutam em pedir socorro. Tanto é que a maioria dos pacientes do ambulatório chega sozinha, não vai acompanhada pela família.

A primeira reação dos pais costuma ser a de desespero. "Mas de nada adianta ficar dando sermão. Muito menos ignorar, fingir que o problema não está acontecendo dentro da sua casa", diz Neide. "O pai tem de tentar conversar com o filho e escutá-lo, além de buscar informação para poder falar de igual para igual com ele. Tem de saber argumentar para convencer e buscar ajuda porque a maconha não é nem um pouco inofensiva."

"Um pai só descobre que o filho fuma um baseado quando seu uso passa a ser mais freqüente", afirma o coordenador do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas, André Malbergier. O que quer dizer que ele pode estar perdendo o controle sobre a droga. "Mas é preciso avaliar todo o contexto. No nosso grupo, só tratamos aqueles que têm sua vida prejudicada por causa da droga. Se ele usa maconha, mas segue uma rotina normal, vai bem na escola e no emprego, fazemos apenas um acompanhamento."

Parte do tratamento é fazer com que o jovem perceba que pode se sociabilizar sem a droga. "A maconha se tornou um importante instrumento de agregação entre os jovens. Assim como tem a turma dos nerds ou das patricinhas, tem a dos usuários e essa é a turma que aceita tudo e todos." Como 95% dos que usam maconha são do sexo masculino e começaram a consumi-la por volta dos 15 anos, os pais precisam estar atentos aos amigos e às reações do adolescente, diz Malbergier. "E precisa ter coragem para tomar decisões."

Muitas famílias, conta, estão permitindo o uso da maconha em casa porque acreditam que seja mais seguro. Não querem ver o filho pego pela polícia. "Mas esse é um discurso muito complicado. Pai tem a obrigação de colocar limite, de explicar por que a droga faz mal e de tentar que o filho procure ajuda. Ainda que ele use apenas maconha."


As perguntas mais freqüentes:

A maconha é uma porta de entrada para outras drogas?
Ela pode ser. Um usuário de maconha tem 60% mais chances de se tornar dependente da cocaína, por exemplo, do que os que nunca usaram nenhuma droga.



Maconha vicia?
Sim. De cada 10 pessoas que apenas experimentam a erva, causa dependência em 1. Também provoca síndrome de abstinência se o viciado passa um tempo sem usá-la.



Por que os jovens gostam tanto de usar a droga?
Por causa da sensação de relaxamento que ela causa. A adolescência é um período de grande pressão e os jovens acabam usando a maconha como uma válvula de escape.



Qual o principal problema que ela causa?
A perda da capacidade cognitiva. O usuário começa a ter problemas de concentração, de memória e dificuldades motoras. Em alguns casos, pode aparecer depressão ou síndrome do pânico.


Como tratar um viciado em maconha?
Com ajuda médica. É feito um trabalho multidisciplinar, de preferência com a participação da família, para que o usuário mude seu estilo de vida e consiga vencer a abstinência. Não há remédios para combater o vício.


"É difícil tomar uma atitude em relação ao filho"

"Há quatro anos, quando nosso filho tinha 18, descobrimos que ele usava maconha. Foi um choque. Ele esqueceu um pouco da droga na pia do banheiro e a casa caiu. Senti uma mistura de decepção com raiva, além de muita culpa.

A primeira conversa não foi conversa, foi briga mesmo, das feias. A gente discutiu, acabou se agredindo. Na verdade, nunca conseguimos conversar direito sobre o assunto. Até hoje não sabemos desde quando ele fuma maconha.

Com a descoberta, ficamos mais atentos ao comportamento e às reações dele. Antes, a gente não se preocupava, não prestava muita atenção a tudo que fazia. Começamos a ficar em pânico quando ele saía, com quem saía, e onde ia. Se voltava tarde demais, ficávamos desesperados.

Mas foi só quando abandonou a escola e largou o trabalho que resolvemos procurar ajuda médica. Ele estava agressivo demais e ainda está sendo muito difícil convencê-lo a freqüentar o ambulatório.

A gente nunca imagina que vai precisar de um grupo de ajuda, mas hoje sei, e aconselho, que as famílias busquem auxílio se descobrirem que o filho usa maconha, que tenham paciência e muito amor. Encontrei o ambulatório assistindo a uma entrevista na televisão. Me informei e resolvi que não dava para resolver o problema sozinha.

Passamos a fazer o tratamento. Com o auxílio dos médicos, conseguimos entender melhor o que estava acontecendo com nosso filho. Acho que mudamos nossa visão de viciado. A gente nem gosta mais de usar essa palavra.

Estamos caminhando juntos. É muito difícil colocar em prática tudo o que aprendemos. É difícil tomar uma atitude em relação ao filho. Vou te falar a verdade: participo de grupos, ajudo outras famílias que passam pela mesma situação que a minha e não consigo resolver o meu problema.

A gente queria que tudo ficasse resolvido logo, porque tem gente que discrimina mesmo. Existe muito preconceito. Falam que tanto o pai quanto a mãe não deram atenção para o filho, e aí aconteceu. Até parece que é simples assim..."

* Silvia (nome fictício) tem 45 anos e seu filho, 22. Eles procuraram o Ambulatório da Maconha da Unifesp no início deste ano

Sinais de que seu filho pode ser dependente

- o rendimento escolar cai sem causa aparente

- ele esquece alguns fatos mais recentes

- ele começa a ter dificuldade para se concentrar

- seus olhos vivem avermelhados

- ele passa a se vestir de forma desleixada

- a turma de amigos muda e ele evita apresentá-la

- seu apetite aumenta

- ele tem mais sonolência

- seu humor muda muito

- ele passa a ficar ansioso ou deprimido sem motivos

Fonte:Último Segundo

Fonte: http://www.antidrogas.com.br
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'ficha suja' para motorista

Assembleia aprova 'ficha suja' para motorista flagrado bêbado em SP

Assembleia aprova 'ficha suja' para motorista flagrado bêbado em SP
lei seca beber dirigir




Folha de São Paulo - DE SÃO PAULO
 A Assembleia Legislativa paulista aprovou na noite desta quarta-feira um projeto que obriga o governo estadual a tornar públicos os nomes de motoristas do Estado que perderam a carteira de habilitação por dirigir sob efeito de álcool.
Se for sancionada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), a lei criará uma espécie de "ficha suja" para motoristas _os nomes dos infratores serão publicados no "Diário Oficial" do Estado. O texto não teve voto contrário.
Segundo o texto do parlamentar Cauê Macris (PSDB), que pertence à da base de apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a relação de infratores terá que ser divulgada pelo Detran.
Na publicação devem constar o nome completo do infrator, o número do registro da carteira de habilitação e a fundamentação da punição administrativa.
LEI SECA
Em janeiro deste ano, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) reduziu a margem de tolerância no teste do bafômetro. Antes o limite era de 0,1 miligrama de álcool por litro de ar, o valor caiu para 0,05 miligrama de álcool por litro de ar.
O órgão determinou também que o motorista que tiver qualquer vestígio de álcool em exame de sangue pode ser multado em R$ 1.915,40 e ter a carteira de habilitação suspensa por até um ano. Até então, a margem de tolerância para aplicação das penalidades era de 0,2 grama de álcool por litro de sangue.
No fim do ano passado, o Contran já tinha determinado que depoimentos da polícia, vídeos, testes clínicos e testemunhos podem ser usados para comprovar a embriaguez ao volante.

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Bolsa Crack

Governo de São Paulo lança Bolsa Crack   





O governo de São Paulo lançou oficialmente nesta quinta-feira um programa pelo qual usuários de crack receberão uma bolsa de R$ 1.350 por mês para custear despesas com unidades de reabilitação e acolhimento social e evitar recaídas. 

O programa, que é visto com algumas ressalvas por especialistas, é anunciado ao mesmo tempo em que o atendimento a dependentes de drogas no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), do governo estadual, ainda esbarra em dificuldades, segundo juízes.

Pelo programa Recomeço, cada dependente químico maior de 18 anos receberá um cartão que só poderá ser usado para pagar tratamento em comunidades terapêuticas, onde poderão morar e se tratar por até seis meses. Inicialmente, o projeto vai beneficiar 3 mil dependentes químicos que já tenham passado por atendimento psiquiátrico anterior. Caberá às prefeituras indicar os nomes dos dependentes que receberão o cartão, pois são os municípios que gerenciam os Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), onde os viciados recebem atendimento ambulatorial. O projeto chegará primeiro a 11 cidades do interior do estado onde há Caps AD.

— Na comunidade terapêutica, o dependente tem qualificação profissional, de fortalecimento de vínculos com a família. Não tem médico, tem assistente social e pessoas que ministram oficinas para ajudar ele a se inserir na sociedade e no mercado de trabalho. Médico ele verá na rede de saúde pública e no Caps. O cartão agilizará o avanço do atendimento para o interior — explica o secretário de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia.

Segundo o secretário, na capital, o atendimento já é feito por comunidades terapêuticas conveniadas. Ele estima que em 60 dias já haverá pessoas começando a serem atendidas. As comunidades terapêuticas serão escolhidas pelo governo após passar por vistorias e terão que apresentar plano de atividades para os usuários, dentre outros requisitos. A iniciativa é inspirada num projeto similar feito pelo governo de Minas Gerais, onde a bolsa é de cerca de R$ 900.

A professora de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas Ana Cecília Marques disse que numa situação em que pouco se faz para resolver o problema do crack no país, a iniciativa é positiva e pode ajudar pacientes que não teriam alternativa de tratamento caso não recebessem a bolsa. Mas ela acredita que o governo deveria exigir que houvesse um médico dentro das comunidades terapêuticas credenciadas.

— Precisa de médico para fazer avaliação da síndrome de abstinência, que é um quadro grave e tem que ser tratado por um médico — afirma.
Thiago Fidalgo, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp , diz que o governo não deveria privilegiar a internação como solução para o problema das drogas, e sim investir em prevenção e tratamento ambulatorial, pois a internação é necessária em apenas alguns casos. Segundo ele, muitas comunidades terapêuticas não trabalham de forma adequada atualmente e precisariam se adequar.

— Em muitas comunidades terapêuticas, pelo menos no período inicial, o dependente não pode deixar a unidade. Cerca de 70% dos usuários de drogas têm doenças psiquiátricas que precisam ser tratadas e a maior parte das comunidades terapêuticas não tem psiquiatra. O ideal é que a comunidade estimule a inserção social. E como ela vai fazer isso se afasta a pessoa da comunidade? — questiona Fidalgo.

Mais de três meses depois de um plantão judiciário ter sido instalado no Cratod, unidade de referência ao atendimento de dependentes no estado, a burocracia ainda emperra a ajuda a viciados. Segundo o juiz Iasin Issa Ahmedas, ainda há casos de dependentes em crack que esperam 30 dias para serem internados por falta de vagas, mesmo quando possuem laudo médico recomendando internação e decisão judicial determinando que o estado tome providências.

— Na última sexta-feira houve um caso de um rapaz que estava há 30 dias esperando vaga, em casa. Ele estava estável, mas isso é um absurdo. Tem que ter vaga logo. A gente liga, cobra, e a vaga não sai. A novela desse rapaz acabou, ele conseguiu a vaga. Mas há uma burocracia enorme na área da saúde, as pessoas não se comunicam — disse Ahmedas.

Segundo a secretaria estadual de Saúde, desde que o plantão judiciário começou a atender no Cratod, em 21 de janeiro, até anteontem, o centro recebeu 25 mil telefonemas pedindo informações e foram realizadas 770 internações (sendo 712 voluntárias e 58 involuntárias, mas nenhuma compulsória). De acordo com a pasta, em 92% dos casos atendidos pela unidade, com necessidade constatada de internação, os pacientes permanecem por no máximo dois dias no Cratod, em leitos de observação, enquanto há a liberação de transferência para uma unidade hospitalar.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)


 
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